terça-feira, 15 de setembro de 2015

Uma nova espiritualidade

Mais um belo texto de um dos meus autores preferidos, que vai precisamente ao encontro da minha forma de pensar sobre a espiritualidade :

"Em parte devido aos ensinamentos espirituais que surgiram fora do âmbito das religiões oficiais, mas também devido a um afluxo de antigos conhecimentos e ensinamentos orientais, há um número crescente de seguidores das religiões tradicionais capazes de se libertar da identificação com a forma, do dogma e dos rígidos sistemas de crenças, e de descobrir a essência original escondida no âmago da sua tradição religiosa, ao mesmo tempo que descobrem a sua própria essência. Compreendem que a nossa «espiritualidade» nada tem a ver com aquilo que acreditamos, mas sim com o nosso estado de consciência. Por sua vez, isto determina o modo como agem no mundo e como interagem com os outros.

As pessoas que não são capazes de ver para lá da forma tornam-se ainda mais firmes nas suas crenças, ou seja, na sua mente. Neste momento, estamos a assistir não só a um afluxo de consciência sem precedentes, como também a uma firmeza e intensificação do ego. Algumas instituições religiosas estarão abertas à nova consciência, outras irão reforçar as suas posições doutrinais e integrar-se em todas as outras estruturas artificiais, através das quais o ego coletivo vai tentar defender-se e «ripostar». Algumas igrejas e fações, bem como alguns cultos e movimentos religiosos, são basicamente entidades coletivas egóicas, tão rigidamente identificadas com as suas posições mentais como os seguidores de uma ideologia política fechada a qualquer interpretação alternativa da realidade.


Mas o ego está destinado a perecer, e todas as suas estruturas ossificadas, sejam instituições religiosas ou outras, como empresas ou governos, irão desintegrar-se a partir do seu núcleo, independentemente do quão enraizadas aparentam estar. As estruturas mais rígidas, as mais difíceis de mudar, serão as primeiras a sucumbir."


Eckhart Tolle (Um Novo Mundo, pág. 22)

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Perdão





Perdão


"Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.
Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.
É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença."


Papa Francisco

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Os Relacionamentos




Os Relacionamentos


Somos muito rápidos a formar opiniões e a tirar conclusões acerca de uma pessoa. A mente egóica gosta de rotular os outros, de lhes atribuir identidades conceptuais, de os julgar com severidade.


Todos os seres humanos são condicionados para pensarem e se comportarem de determinada maneira - são condicionados tanto geneticamente quanto pelas experiências da infância e pelo ambiente cultural onde cresceram.


Não é isso que eles são, mas é o que aparentam ser. Quando se emite um juízo sobre alguém, confundem-se as atitudes mentais condicionadas dessa pessoa com a identidade dela, o que, em si, é um comportamento inconsciente e profundamente condicionado. Atribuímos uma identidade conceptual ao outro e ficamos presos, assim como a pessoa em causa, a essa falsa identidade.


Prescindir de fazer juízos não significa que não se veja aquilo que os outros fazem. Significa que se percebe e se aceita o comportamento deles como resultado do condicionamento. Significa que deixámos de construir a identidade de alguém tendo por base esse condicionamento.


E isto liberta-nos, a nós e à outra pessoa, da identificação com o condicionamento, com a forma, com a mente. O ego deixa então de governar os nossos relacionamentos.


Eckhart Tolle (A Voz da Serenidade, pág. 95)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Permitir o enfraquecimento do ego

Permitir o enfraquecimento do ego


O ego está sempre na defensiva em relação a qualquer tipo de enfraquecimento que percecione. Os mecanismos automáticos de auto-reparação do ego entram em ação para restabelecer a forma mental do «eu». Quando alguém me culpa ou critica, para o ego isso constitui um enfraquecimento do eu, e, portanto, ele vai imediatamente tentar reparar a sua noção enfraquecida de identidade através da autojustificação, da defensiva ou da acusação. O facto de a outra pessoa ter ou não razão é irrelevante para o ego. Ele está muito mais interessado na sua autopreservação do que na verdade. É a preservação da forma psicológica do «eu». Até a atitude, tão normal, de responder aos gritos a um condutor que nos chama «idiota» é um mecanismo automático e inconsciente de reparação do ego. Um dos mecanismos mais comuns é a ira, que causa um aumento temporário, mas de grande dimensão, do ego. Todos os mecanismos de reparação fazem sentido para o ego, mas são, na verdade, disfuncionais. Os mecanismos mais extremos em disfunção são a violência física e auto-ilusão sob a forma de fantasias majestosas.


Uma prática espiritual muito útil é permitir conscientemente que o ego enfraqueça quando estas situações acontecem, sem o tentarmos restaurar. Recomendo que faça esta experiência de tempos a tempos. Por exemplo, quando alguém o criticar, o acusar ou o ofender, em vez de retaliar imediatamente ou de se defender - não faça nada. Deixe a sua auto-imagem diminuída e fique alerta ao que sente lá no fundo quando procede desta forma. Durante alguns segundos, é capaz de se sentir desconfortável, como se tivesse encolhido de tamanho. Depois, é provável que sinta uma grandeza interior que parece intensamente viva. Você não foi de todo diminuído. Na realidade, ficou maior. Pode então chegar a uma conclusão espantosa: quando você é, de alguma forma, aparentemente diminuído e permanece numa não-reação absoluta, ao tornar-se «menos» acaba por se transformar em «mais».


Eckhart Tolle (Um Novo Mundo, pág. 176)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Os egos ou o nosso “lado lunar”







Todos nós temos um “lado lunar”, um lado sombrio. Todos nós somos a soma desses dois lados, o positivo e o negativo.

Não adianta esconder, mais tarde ou mais cedo ele se revelará. A maior parte das pessoas pensam que se conhecem, pensam que tem o perfeito controlo das suas emoções. Mas, postas à prova numa situação à qual não estão preparadas, tudo muda.

Somos todos boas pessoas até ao dia em que nos salta a tampa e estragamos tudo…

Todos temos em grau maior ou menor um pouco de inveja, ira, avareza, gula, preguiça, soberba e luxuria, que são na tradição Cristã, os 7 pecados mortais. Os antigos egípcios chamavam-lhes de “demónios vermelhos de Seth”. Eu prefiro chamar de egos, eus ou defeitos psicológicos.

Não pretendo de maneira alguma dar alguma lição de moral ou de bons costumes, apenas falar da minha experiência em relação ao meu “lado lunar”, dissertando sobre este assunto.

Dizem os entendidos que a maior parte da humanidade tem a consciência desperta em apenas 3%. Bastava que tivéssemos 10% de consciência desperta para deixar de haver guerras no mundo. Ou seja 97% da nossa consciência “dorme” profundamente. Embora possamos parecer acordados, estamos apenas a viver consoante a ditadura dos meios de comunicação social, das modas, dos vícios, das políticas economicistas e de milhentas outras coisas que servem apenas para nos distrair e manter-nos fora da nossa essência, impedindo o verdadeiro despertar da nossa consciência.

Basta abrir a TV em qualquer um dos canais para vermos programas que são única e simplesmente para adormecer ainda mais as consciências. Basta ir a um banco para nos impingirem todo o tipo de empréstimos e cartões de crédito. Se temos um mal físico ou psicológico, entopem-nos de remédios.  Enfim, a ideia geral é ficarmos em “sono profundo”, dependentes de qualquer coisa, enquanto estamos “agarrados” seremos sempre escravos e alimento de algum interesse económico.

Para além das inclinações e aspetos psicológicos mais negativos ou não que já vêm connosco desde o nosso nascimento, temos durante a nossa vida uma sociedade que nos vai moldando consoante a época em que nascemos. Todas estas “distrações” são um campo propício para se desenvolver em nós aspectos mais negros, mais negativos.

Todos nós temos uma máscara que em maior ou menor grau vai sendo utilizada para disfarçar os defeitos ou egos. Em certos indivíduos essa máscara já se confunde com a propria pessoa. A dada altura já não se sabe qual a verdadeira personalidade. Para essas pessoas é muito difícil aceitarem que são por exemplo invejosas ou egoístas.

O primeiro passo é precisamente aceitar que temos defeitos para de seguida identifica-los. Para isso é necessária muita auto-observação e auto-crítica.

Se ao invés de olharmos para o nosso vizinho do lado, invejando-o ou comentando o que tem ou o que fez, olhasse-mos para o nosso interior, aprendendo como se movem os nossos pensamentos, observando-os mas deixando-os passar sem lhes dar grande importância, lucraríamos muito mais. O ego serve-se de mil e uma estratégia para nos levar a dizer e a fazer coisas que  num estado mais desperto não o faríamos.

Quando estamos irritados e não temos paciência para “aturar” o marido, a esposa, os filhos, os nossos colegas de trabalhos ou simplesmente um cãozinho que está a passar ao nosso lado, a solução passa muitas vezes por tentar ir ao porquê dessa irritabilidade, o que me motivou a estar assim? Porque agi deste modo? Se queremos que essa irritabilidade não passe para um estado de ira pura, devemos de observar o nosso interior.

A meditação é a melhor ferramenta para fazer esse auto-estudo diário. Não é necessária nenhuma posição especial, basta estarmos sentados ou deitados num sítio calmo e fechar os olhos, fazer umas respirações profundas e tentar acalmar a mente. Com o corpo e a mente calma, podemos rever o nosso dia (de trás para frente, ou de frente para trás), identificando um ou outro momento menos bom, em que notamos que não fomos muito corretos com alguém. Basta escolher um episódio. A ideia é procurar explorar onde se originou esse problema com essa pessoa. Como que numa espécie de auto-regressão, tentar ir mais atrás no tempo e procurar outros episódios com essa pessoa, de certeza que se vai encontrar a origem, o que causou o início do problema. Identificada a origem do problema, pedimos perdão. Como que em forma de oração pedimos perdão à pessoa lesada e se formos crentes, pedir perdão a Deus. O ideal seria falar diretamente com a pessoa em questão, despir-nos dessa máscara, e pedir-lhe perdão com sinceridade.

É um exercício simples mas ajuda a autoconhecermo-nos melhor e ajuda-nos a que uma próxima vez tomemos consciência para que não caiamos no mesmo erro anterior.

Não devemos nunca negar os nosso defeitos ou egos, nem botar uma maquilhagem para os disfarçar, nem os colocar dentro de um caixote, nem os reprimir. Um dia, quando menos esperarmos eles sairão com muita mais força. É com uma panela de pressão, se a taparmos totalmente, ela rebenta! e as consequências podem ser muito desagradáveis!!!

Não é por acaso que existem assassinos, pedófilos, violadores, ladrões e outro tipo de malfeitores. Esses são apenas indivíduos que alimentaram em demasia os egos, tornando-os como seus, divinizando-os. Não souberam na devida altura aprender com os erros. As oportunidades foram-lhes postas à frente e não as aproveitaram para se conhecerem melhor.

O erro, a falha, a manifestação de um ego, são a oportunidade sagrada para melhorarmos. Só caindo nos podemos levantar, Só errando, podemos aprender. 

Aceita-te como és, mas procura melhorar a cada dia que passa…
Paulo Pascoal


domingo, 26 de julho de 2015

ESCRAVOS

ESCRAVOS

Nos tempos da Roma antiga
A escravatura era bem definida.
O amo era  cidadão,
O escravo não tinha nação.

Nos tempos da "Roma" moderna,
A escravatura é a mesma,
Patrões e políticos
Juntam-se ao poderio dos ricos

Nos tempos da "Roma" moderna
Somos escravos do consumismo
Até numa simples taberna
Bebemos sem realismo.

Criam-se necessidades
Como pão pra boca,
Alimentam-se vaidades
Nesta sociedade oca.

Tudo é negociável
Nesta sociedade consumista,
Desde os concursos, ao cartão reutilizável
Do crédito capitalista.

São as tentações modernas
De uma "Roma" falida, sem vida,
Sem valores,  sem sabor e sem guarida,
Sem dignidade,  como um galo sem penas

Paulo Pascoal
26/07/2015


segunda-feira, 13 de julho de 2015

O poder do som e da palavra

O poder do som e da palavra


“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
(João 1:1-4)

A palavra, o som e Deus estiveram juntos e estarão até à eternidade. Imaginemos o “Big bang”, aquela primeira explosão de partículas que motivou e iniciou a criação de todo o universo, ter o início num som, numa vibração tal, que despoletou aquele explosão de energia, luz, som e Amor puro. É como que se Deus tivesse de repente dado um grito e soltasse toda a sua energia para o infinito. Através de um som primordial, surgiram do nada e durante milhões de anos,  planetas, estrelas, galáxias, vida vegetal, animal e humana, visível e invisível.
Através deste som, desta vibração primordial Deus criou o Universo. Tudo o que existe vibra a uma frequência determinada. Há apenas formas mais densas ou menos densas, consoante sua vibração.
É por isso que em toda a nossa história humana o som esteve sempre ligado ao transcendente, à espiritualidade. Os povos e religiões antigas sabiam utilizar esses sons para curar, orar, meditar ou simplesmente para divertimento.
O hinduísmo, o budismo  e outras religiões orientais utilizavam e utilizam o mantra :


  “O mantra é uma fórmula mística e ritual recitada ou cantada repetidamente. A palavra provém do sânscrito e tem muitas diferenças sutis de significado “instrumento da mente”, “linguagem divina” e “linguagem da fisiologia espiritual humana” são apenas algumas de suas conotações. Os mantras originaram-se do hinduísmo
Os místicos praticam a palavra mágica há milénios. Para algumas escolas, principalmente as de fundamentação técnica, o mantra pode ser qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto, que detenha um poder específico. Existem mantras para facilitar a concentração e meditação, mantras para energizar, para adormecer ou despertar, para desenvolver os chakras ou vibrar canais energéticos a fim de desobstruí-los.”
http://despertarcoletivo.com/a-importancia-dos-mantras/



Nas religiões do ocidente, principalmente as Cristãs, o som era e continua a ser utilizado através essencialmente da música. A música religiosa de compositores como Bach, Haendel, Mozart ou Beethoven, entre outros, doada ao mundo, são intemporais e o som que dela sai, transporta-nos imediatamente para o transcendente, para um estado de espiritualidade e comunhão com Deus indescritível, precisamente porque eles(compositores) tinham o domínio do som e do efeito que ele nos faz.
Nas religiões Cristãs, a palavra, o som, também é utilizada em orações. Ao fazermos uma oração expontanea, decorada ou lida, estamos a conecta-nos com o Divino, com o Todo. Se o fizermos com uma intenção pura, desprovida de interesses egóicos, com fé, essa ligação com o Divino será possível. Uma paz e uma calma profunda invade-nos, sossegando a nossa alma. 
Actualmente já há estudos científicos que confirmam o que outros em tempos passados já sabiam pela intuição, que o som e a palavra são de um poder extraordinário.


Livros sagrados como: A Bíblia, o Alcorão, os Vedas, o Torá, entre outros, são a prova viva da força da palavra, do som. São livros que sobreviveram, alguns mais de 5.000 anos, deixando-nos amplos conhecimentos para a evolução interna do ser humano e grandes mensagens de Amor. 


Hoje, graças a uma investigação profunda e interna feita por esses mestres, temos nas nossas mãos ferramentas importantíssimas que nos ajudam no auto-conhecimento, na auto-cura, espiritualidade e no Amor ao próximo.

P. Pascoal


“A palavra, junto com o poder da vibração é capaz de criar, curar e também destruir. A teoria indica que quando focalizamos nossa mente em algo, e a isto somamos sentimento e emoção, para finalmente expressá-lo, [aquele algo] estamos exteriorizando e materializando um poder, [um agente] que poderá afetar os reinos da matéria.

Se cada um de nós fossemos conscientes de que a energia liberada em cada palavra, afeta não somente aquele a quem nos dirigimos mas, também, a nós mesmos e ao mundo que nos rodeia, começaríamos a ser mais cuidadosos com o que dizemos (e pensamos). …”

HUNTER, Brad. El Poder de la Palabra, 2009.